Londrina: Prova com cálculo de lançamento de bebê foi cópia de apostila, diz diretor

Direção ainda avalia o conteúdo para decidir sobre uma possível punição.
Trabalho foi aplicado uma turma do 1° ano do ensino médio em Londrina.

As questões utilizadas em um trabalho de física aplicado para alunos de uma escola em Londrina, no norte do Paraná, foram retiradas de uma apostila, conforme contou a professora ao diretor do Colégio Estadual Hugo Simas, João Batista Raminelli.  As perguntas continham frases que incitavam a violência e a morte, e geraram reclamações dos pais e dos alunos. Em uma das questões, por exemplo, a professora pede aos alunos que calculassem a velocidade de lançamento de um bebê, jogado para o alto pelo “papai desnaturado”, a uma altura de 80 metros. O trabalho foi passado para uma turma do primeiro ano do Ensino Médio no dia 6 de agosto e deveria ser entregue nesta quarta-feira (13). A atividade foi anulada e a professora pediu desculpas ao aluno, ainda de acordo com o diretor.

“A professora explicou para a direção que ela pegou o material de uma apostila. Ela viu algumas questões, achou o material bom, pediu para rodar e passou aos alunos para eles fazerem em casa. A falha da professora foi não ver o material na íntegra, apesar de já existir uma orientação de que todo material deve passar pela equipe pedagógica para uma revisão”, diz o diretor.

Outro problema do trabalho questiona os alunos sobre qual o tempo de queda de um professor que se jogou do telhado e, em uma terceira questão informar se uma pena de galinha e um caminhão cheio de alunos cairão no chão ao mesmo tempo. Um dos alunos mostrou o trabalho para a mãe que decidiu denunciar a professora responsável pelo trabalho.

Trabalho gerou polêmica entres estudantes e pais de alunos (Foto: Reprodução)
Trabalho gerou polêmica entre os estudantes e pais de alunos (Foto: Reprodução)

O diretor informou que a professoram explicou a situação para a direção e também pedou desculpas aos alunos. “Admitiu que foi uma falha, explicou isso perante a direção do colégio. Ela também se retratou com os alunos, explicando o erro por não ter visto o material na íntegra, que não concorda com isso. O trabalho foi anulado, e outro material será elaborado. Disse ainda que vai tomar mais cuidado ao passar qualquer atividade para os alunos”, conta Raminelli.

A apostila ainda não foi analisada pelo diretor, mas deve ser verificada e também encaminhada ao Núcleo Regional de Educação. “Vamos verificar a origem dessa apostila e ver se ela está sendo aplicada em outro colégio para outros alunos. Isso não pode acontecer”, diz.

Sobre uma possível punição a professora, o diretor explica que a situação está sendo verificada. “Vamos avaliar com critério e tomar as medidas para ver se foi o trabalho foi tirado mesmo da apostila. Se isso ocorreu mesmo, o erro da professora diminui, porque o erro dela foi confiar no material e ter visto apenas parte dele”, argumenta.

A chefe do Núcleo de Educação de Londrina, Lúcia Cortez, se surpreendeu com o conteúdo do trabalho. “É um palavreado que não é comum. Não faz parte do vocabulário do dia a dia do professor”, diz

Para a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutora em educação, Lucinea Rezende, faltou bom senso na preparação das perguntas. “Não foi uma ideia feliz, me parece. Há outras formas de se aproximar dos alunos sem precisar de utilizar uma linguagem dessa maneira, como está”.

Fonte: G1

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