Preso suspeito de filmar mulheres trocando de roupa antes de exames

Segundo a polícia, técnico em radiologia espalhou as câmeras escondidas pelas clínicas e hospitais onde ele trabalhava.

 

Em São Paulo, centenas de mulheres nem desconfiavam que eram filmadas quando se despiam para fazer exames médicos. Segundo a polícia, foi um técnico em radiologia que espalhou as câmeras escondidas pelas clínicas e hospitais onde ele trabalhava. E passou dez anos fazendo essas gravações.

Câmeras escondidas nos ralos dos banheiros. Outras, onde as pacientes trocam de roupa. E mais algumas nas próprias salas de exames.

Como mostram as imagens, quem instala os equipamentos é o técnico em radiologia Manuel Ávila, de 50 anos. Com tudo ligado, ele orienta a paciente, que não desconfia de nada.

“Por favor, tira toda a sua roupinha aqui”, diz a uma paciente.

Manuel Ávila nasceu em Lima, no Peru, e está no Brasil há mais de 20 anos. Hoje, o emprego dele é numa clínica de Barueri, na Grande São Paulo.

No currículo do técnico em radiologia, consta que ele já foi professor de tomografia e ressonância magnética e trabalhou num hospital infantil.

Segundo a polícia, há pelo menos 10 anos, Manuel gravava mulheres e crianças que iam fazer exames médicos em clínicas e hospitais onde ele trabalhava, na capital paulista e no interior.

O Fantástico teve acesso a toda a investigação. São centenas e centenas de vídeos.

“É incontável o número de imagens de pessoas diferentes que existem ali”, diz a delegada Ana Luiza Salomoni.

Nas gravações, fica claro que o técnico se preocupa em instalar as câmeras em locais diferentes para conseguir a imagem de uma mesma paciente, a partir de vários ângulos. Tem equipamento até embaixo da pia do banheiro. Manuel arruma a sala de exames para que a mulher tire a roupa bem em frente à câmera.

“As imagens são chocantes e trazem um conteúdo bem pesado. Não há dúvida nenhuma de que ele é quem fazia ardilosamente, indevidamente, essas filmagens tanto em pacientes como em familiares”, analisa a delegada Ana Luiza Salomoni.

As investigações revelam que Manuel também instalou câmeras escondidas na própria casa. Uma moça, parente da ex-mulher dele, viu as imagens e se reconheceu em três gravações de 17 anos atrás.

Numa, ela toma banho. Em outras, Manuel aparece tocando a menina, que na época tinha 11 anos de idade, enquanto ela dormia.

“Eu estou surpresa. Não esperava me ver nos vídeos. Eu me sinto extremamente invadida. Eu me sinto extremamente mal”, conta a vítima que preferiu não se identificar.

A vida secreta do técnico em radiologia começou a ser revelada depois que ele se separou da mulher, no fim do ano passado. Ela descobriu que no banheiro da casa, atrás de um armário, havia uma passagem escondida.

Disfarçava bem a entrada, a entrada do porão. Não dá nem para imaginar que existia um porão atrás, como se fosse um compartimento secreto.

A mulher diz ter encontrado pornografia infantil e, em outras partes da casa, gravações das câmeras escondidas, com imagens de mulheres e crianças nuas. Ela entregou tudo para a polícia.

“O fato dele armazenar essas fotos já configura o crime”, explica a delegada.

Sorocaba, sexta-feira passada. Policiais cercam o carro de Manuel Ávila.

O técnico em radiologia se defendeu. Disse que não é pedófilo e que não instalou as câmeras escondidas, só as encontrou.

“Eu achei lá e guardei e pronto, para ninguém pegar. Só isso. Nunca gravei nada, não”, disse Manuel.

E explica assim o motivo de aparecer nas imagens, instalando as câmeras: “Eu ia lá e tirava o negócio. Sei lá, devia ter gravado”.

Sem revelar nomes, Manuel culpa outros funcionários que trabalhavam com ele.

Manuel Ávila: Como eu sou chefe de serviço, eu seria demitido na hora. Eu seria demitido e não o pessoal. Alguma vez, alguém viu eu divulgando? Nunca divulguei nada.

Para uma parte das gravações, o técnico em radiologia, que nasceu no Peru, deu uma outra explicação: “Uma vez eu comprei no Peru dez CDs de música e veio tudo isso aí”.

A polícia quer saber agora se Manuel fazia parte de algum grupo de pedofilia e se ele ganhava dinheiro vendendo as imagens das pacientes.

“Não queria que aquilo acontecesse comigo, mas o que me consola é que, graças a Deus, ele está algemado e preso e não vai fazer isso com o filho de ninguém”, disse uma das vítimas.

Fonte: Fantástico

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